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ㅤMinha prática nasce no intervalo entre ver e decodificar, rever e desvelar. De uma formação que uniu a arquitetura à comunicação, a forma como me relaciono com a imagem não é tanto como averbação (cartorial) do mundo, mas como anotações (em guardanapo) de mundos, apontando maneiras de tensioná-los. Interessa-me menos aquilo que se exibe de imediato e mais o que permanece: camadas de memória no silêncio que a fotografia pode revelar, mas nunca esgotar, onde o sujeito e o objeto se constituem mutuamente.

ㅤPenso meu trabalho como uma espécie de escavação do presente. Um olhar arqueológico que busca, na atenta escuta das coisas, sinais de algo profundo. A luz, nesse processo, não é apenas o que permite ver, mas aquilo que constrói a própria imagem na interação estruturada como diálogo, que argumenta, expõe e oculta ao mesmo tempo. Ao aproximar formas contemporâneas de uma sensibilidade quase histórica, procuro criar pequenos deslocamentos no tempo, onde registro e imaginação cruzam e se reproduzem simbolicamente.

ㅤNesse movimento, o espaço deixa de ser apenas cenário e passa a ser experiência. Nas minhas séries, tento afastar a imagem de uma função puramente descritiva da superfície, abrindo espaço para relações mais sutis de contraste e eco. As imagens não seguem uma narrativa linear, elas dialogam e se confrontam; o sentido aparece nesse intervalo, nesse jogo entre o que está presente e o que parece desvanecer.

ㅤNão busco afirmar uma verdade única, mas abrir possibilidades de leitura. Para mim, a fotografia não precisa explicar – ela pode suspender, desacelerar o olhar. É nesse estado, entre formalidade e incerteza, que a imagem começa, de fato, a pensar uma desconstrução.

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